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E onda foi e onda voltou


     - Menina! Entra p'ra casa! Vai ficar de cama tomando esse sereno! - sua mãe dizia quando teimava em atravessar a rua e ir p'ra praia. Ela nem ligava de pegar um resfriado de vez em quando, seu amor a esperava sempre. 
    Gostava mesmo do mar durante a noite, quando a maré subia, os turistas iam embora e a imensidão azul voltava a ser seu quintal. Deitava, engrenhava os dedos na areia e se sentia complemento: silício, espaçada, esbranquiçada. O mar invadia e a preenchia de água e sal, depois ia embora e voltava e preenchia e ia embora e voltava e preenchia... 
    O mar assistira seu parto na casinha amarela do outro lado da rua, ensinara-lhe a pescar, a brincar de ciranda e a construir castelos de areia distante das ondas. O mar fora seu primeiro amor e amigo: ouvira seus lamentos e acolhera as lágrimas da menina como se fossem crias suas; o mar ouvira também suas boas histórias e os dois riram, rolando água e corpo na areia. O mar participara da reconstrução do seu coração a cada adeus proferido. Depois, o mar assistira seu casamento, chorando, vendo sua cria crescer. O mar batizara seus filhos com ternura, beijando-lhe as testas sinalizadas com uma cruz de óleo. O mar assistira suas crises existenciais, sua depressão, seu fundo do poço, seu divórcio, a partida de seus filhos para a cidade grande. O mar assistiu seus cabelos caírem e grandes sulcos surgirem na pele.
    Em uma terça-feira, esperou que a lua despontasse no céu. Despontada a lua, foi de pé até a Praia de Caraíva. Já não morava na casa amarela de frente ao mar, já não tinha quem se preocupasse com seus resfriados, já não tinha esposo, já não tinha filhos, mas o mar tinha; o mar, em sua prainha, esperava-a sempre. Andou pelas ruas da vila que iam se silenciando a medida que ia se aproximando de seu destino. Quando seus pés tocaram os domínios da praia, o mar notara sua tristeza e perguntara:
          - O que há, minha criança? - onda veio e onda voltou.
    Em silêncio, fez como quando era jovem: descalçou os sapatos, despiu as roupas e deitou. Engrenhou os dedos na areia, como fazia; sentiu-se complemento, como sentia. Então, disse:
         - Se do pó vêm os homens, ao pó eles retornam. O que fazem aqueles que do mar vieram?
         - Vai ficar tudo bem, meu bem.
   Onda veio, onda voltou... Preencheu e voltou, preencheu e voltou, preencheu e levou.
   
   A madrugada não havia terminado ainda quando o barquinho de pescadores desancorou. Ansiosos pela pesca que o início da temporada profetizava, saíram para o mar entoando as canções que seus pais lhe ensinaram para pedir que Deus abençoasse a viagem. O barquinho ia no seu ritmo de calma, arrastado pelo vento gentil. Quando o sol deu sua graça e a água passou do azul marinho para o azul de mar, as redes e as iscas já estavam bem prontas. Jogou-se a rede, esperou-se. Nada de peixe. Foram mais para o leste, como o vento orientou. Rede jogada, nada de peixe. Mais para o norte. Rede jogada, espera, umas duas ubaranas. 
       - Vamos para as falésias. A pesca hoje não tá boa - o mais velho do grupo orientou.
Foram para as falésias e, em uma região de praia, tiveram seu desjejum. Tomaram aguardente e contaram seus causos particulares. Demoraram uma hora ou duas e, quando iam voltando para o barquinho, o mais velho do grupo notou um volume esquisito do outro lado da praia, encostado nas pedras da falésia. Chegou mais perto, espantou-se e chamou os outros companheiros para constatar o fato. 
       - Valhei-me Nossa Senhora! - gritou - É a dona Mariana da vila!
Beliscaram-se uns aos outros para garantir a veracidade da visão. Enquanto isso, o mar resolvera privá-los de demais delongas e levou o corpo consigo.
          - Mal sabem eles, menina, que tu só é Ana, e que Mar(e)Ana é teu nome por causa do amor que te dei. Farão com que tua morte não seja mistério, mas, sim, lenda; e só tu e eu saberemos a verdade, Ana - disse o mar.
E onda foi e voltou...

Ai de ti, Vênus

Marte e Vênus - Alegoria da Paz, Louis Jean François Lagrenée


Ai de ti, Vênus

Seus olhos me inspiravam dúvida
Me perguntava sempre que te via
És tu reservada para mim em um tempo e espaço
Ainda?

De soslaio eu te tinha, quando me era cabível
Mas tu, teimosa, escapava da minha íris 
Porque não podia ser só minha nem que fosse
no olho

Tu és de todo presença
tão completa que não poderia ser
qualquer outra coisa que não fosse
tua

Sugeri secretamente às divindades 
que te guardassem para mim
por uns tempos e só
Só 

Para que eu arrumasse a casa
e tu viesse pela porta da frente
Entonando teus arranjos de doçura 
e completude 

As divindades responderam
que não intercedem entre os seus
que não era eu divino 
que não era eu teu

Foi então que de ti veio
uma curva suspeita
Sorriso de quem só queria 
contrariar a natureza

Tua única e principal vocação de deusa.

Impressões sobre uma moça que Carlos viu na livraria

    

   Capítulo I - Teimosia
A maçaneta de madeira se inclinou, a porta rangeu e a sineta anunciou a chegada de uma cliente. Erguem-se quatro pares de olhos curiosos em sua direção. Conto dois segundos e a maioria dos pares voltam às atividades anteriores. Eu queria também que os meu voltassem, mas, dotados de uma teimosia cuja origem desconheço, bateram os pés e se sustentaram na expectativa sobre a figura que interrompera a porta por mais um - relativamente longo - tempo. Quando a moça levantou o rosto, meus olhos se deleitaram com sua beleza, satisfeitos pela persistência. "Que gauche na vida seria tu, Carlos, se não fosse por nós" comentou a íris esquerda, piscando para a direita. 

    Capítulo II - Sendo Carlos
Me imantou de imediato. Era alta, esguia como uma faca, pálida feito porcelana. Me passou pela mente se a cor de sua pele seria condição genética ou falta de sol... Mas de súbito me atentei para a sua roupa: vestia uma blusa de manga longa com o decote rendado; inspirava tamanha delicadeza que tive receio de que sentisse meus olhos teimosos sobre si. Fui Carlos e baixei-os por uns momentos. Eles, no entanto, não eram Carlos, e se levantaram por conta própria. Ela deslizou a mão sobre o cabelo, preso em um coque de bailarina perfeitamente armado e deixou o guarda-chuva amarelo próximo ao balcão de entrada.

   Capítulo III - 1984
 O velho que estava registrando alguma coisa em um livro-caixa olhou-a de soslaio por cima do óculos e sorriu simpaticamente. Parecia conhecê-la. Ela deu-lhe um "bom-dia" e ele fez um sinal afirmativo com a cabeça. Ela seguiu determinada para o terceiro corredor de estantes, parecia já saber o que iria buscar ali. Não pude me conter na seção de filosofia moderna; pedi desculpas ao exemplar de "Apelo aos Conservadores" quando abandonei-o a esmo na estante e zarpei para o terceiro corredor. Lá, ela lia a sinopse de "1984", enquanto eu a observava entre as estantes de trás. Tinha envolto no pescoço um cordão de ouro que desejei de imediato saber o que trazia no pingente. Fiquei devaneando sobre o que traria ela em seu pescoço esbranquiçado: uma joia de família, presente de um namorado, bijuteria só para enfeite? Perpassei o tempo imaginando sua história: quantos anos tinha, quantos sonhos concretizara, quantos amores tivera, quanto já se machucara... Então, ela colocou "1984" debaixo do braço e continuou procurando entre os títulos da seção de romances internacionais.

    Capítulo IV - Carlos morre
Pisquei e ela estava ao meu lado, na seção de romances nacionais, lendo a sinopse de "Cinco Minutos". O coração deu um salto que não se sabe para onde foi, pulou p'ra garganta, p'ro rosto, p'ro estômago e eu dei as costas. Não havia por onde sair. Ela, indiferente, levantava a sobrancelha quando uma palavra de amor inverossímil saltava do livro para os seus olhos. Não percebia que, logo ali ao lado, morria Carlos de deslocamento múltiplo do coração. Os olhos perderam a prontidão antes apresentada e ficaram tímidos, de bochechas rosadas, e se viraram para o chão. Ela, educada, disse "Há combinação mais sana do que Orwell e José de Alencar?" e riu. Em cortesia, beijei-a com meus olhos e acolhi-a em uma curva de lábio que não sei se posso chamar de sorriso. Ela, sem graça, pensou ter incomodado; deu um sorrisinho amarelo feito seu guarda-chuva e deu as costas. Atônito, fiquei observando-a caminhar devagarinho para o outro corredor.

  Capítulo V - Cristal de Opala
Segui-a com mais discrição quando ela entrou na ala das biografias. Pude, então, perceber que o pingente que trazia no cordão dourado preso ao pescoço era um cristal de opala de um brilho muito vivo. Desejei saber se guardava outros cristais consigo ou se aquele era o único. Um devaneio rápido me fez imaginá-la wicca, concentrando os olhos no lampejo de uma fogueira, sorrindo, o cristal de opala reluzindo no seu colo...  Quando me atentei novamente para ela, estava com os olhos sobre os títulos de uma das últimas estantes do corredor, contudo nada parecia prender sua atenção como os romances faziam. Olhou uma última vez para as biografias, ainda com "Cinco Minutos" e "1984" debaixo do braço, e seguiu para o balcão.

   Capítulo VI - Partida
Assisti penosamente ao pagamento dos dois livros que ela comprara. Meus olhos entristeceram ao vê-la pegar o embrulho da mão do velho do balcão e lançar a mão sobre seu guarda-chuva amarelo. Antes de sair, olhou para trás por cima do ombro. Me fiz crer que ela procurava a mim que a devia um sorriso de cortesia; mas ela logo virou-se e, assim como foi bela sua chegada, foi triste sua partida. Abriu o guarda-chuva e saiu, perdendo-se na manhã chuvosa.


Carta de consolo


"Velho amigo,
   Hoje fui saudada de manhã com o beijo leve de uma aragem fria¹ e fui-me para um lugar estranho: branco demais, calmo demais. Me apareceu uma criatura simpática feito aquele moço da vendinha na frente da escola onde a gente comprava pé-de-moça, lembra? Pois bem, eram iguais, exceto pelo cabelo estranho: enrolado demais, louro demais. Pouca certeza me coube sobre sua humanidade, era bonito demais. Eu estava toda de branco, cheia de uns tecidos estranhos que pareciam cetim. Mas era tanto pano que, se ali ventasse, eu teria, certamente,  condições de alçar voo. 
  Pois bem, a criatura loura demais para ser humana disse que eu estava morta e que deveria, portanto, escrever uma única carta para alguém que eu amava no outro plano. Dei uma forte gargalhada a princípio, achando que essa era alguma daquelas pegadinhas da televisão, mas me toquei que talvez fosse verdade, já que o lugar era a escultura mais próxima do paraíso que alguém poderia conceber. "Eu devo estar mesmo morta", pensei.
   Cogitei escrever para os meus filhos, para o meu esposo, para a tia Luzia... Mas a criatura loura frisou: uma única carta. Como poderia eu renegar tal direito a você, criança perdida no tempo, cuja lembrança é sempre tão vívida quando me ocorre a juventude? Quando já havia passado algum tempo de imersão em minha dúvida, a criatura loura - que não me atrevo a chamar de anjo - olhou com impaciência para uma fila relativamente longa que estava ao meu encalço.  Só consegui pensar "assim farei" e agora escrevo para ti.
   Há muito nos perdemos entre as circunstâncias estranhas da vida confusa - bem que esse deus das circunstâncias podia dar uma olhada naqueles roteiros cor de rosa de Hollywood, não é? Pra ver se inspira um pouco... -, entre os papéis de um destino não escrito, entre as aneuroses do tempo e das palavras. Há tanto nos perdemos que não sei nem teu endereço, não sei nem se também já passou por esses portões largos daqui e agora me vê de uma outra repartição celeste.
    Sim, velho amigo, tuas últimas palavras foram para mim sepultamento em vida, mas agora, só agora, me arrependo de não ter escrito algo como uma carta antes de ter sido envolta por esse fardo de cetim branco. Escrevo esta agora, sem pedir desculpas, nem explorar meu melodramatismo já bem conhecido, nem usar as palavras brandas a meu favor. Escrevo esta carta como um consolo. Consolo porque sei que chorará minha morte como chorei tua partida; porque sei que chorará a existência vaga da minha carne gélida sob o sétimo palmo de terra; porque sei que, mesmo depois de todos os anos fora de órbita, lembrará do que guardamos em sincera cumplicidade nos anos de pouca idade.
    Consolo-te, então, como fiz quando partiu pelo primeira vez seu pueril coração de  guri.           
     Estou agora esperando me transmutar em alguma coisa que dispense as chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos², como um espírito de luz ou algo assim. Se assim for, amigo, te visitarei toda vez que ao norte brilhar uma estrela que os astrônomos chamarão de Noá - me assegurarei disso, conseguirei logo nos primeiros dias o contato do pessoal que organiza a produção de estrelas nas nebulosas, acompanhe as notícias da astronomia! Lembrará, então, não das palavras literalmente mal-ditas de nosso último encontro, mas das boas risadas que nossas gargantas renderam nos eternos verões do nosso sertão. 
      Ternamente, de algum lugar que realmente se parece com o céu,
 sua eterna amiga."    

Referências:
1. "beijo leve de uma aragem fria" (Soneto da Hora Final - Vinícius de Moraes)

2. "transmutar em alguma coisa que dispense as chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos" (Reconhecimento do Amor - Carlos Drummond de Andrade).

Eu, o campo e os olhos

  
  
     Quando bate o sinal das cinco e meia, meio mundo de gente se liberta das salas de aula. O pátio vira uma confusão desmedida de mochilas coloridas, de um pessoal com o mesmo uniforme e de vozes cansadas, eufóricas, pedintes, risonhas e fofoqueiras. No meio da gente toda e da pressa tanta, arrisco uma piada com minha amiga. Ela ri e depois comenta sobre a prova de Geografia no dia seguinte. A gente faz cara de eu-não-estudei-nada-ainda uma para outra e depois caminha para o ponto do ônibus. 
   Depois, a maior parte do trajeto é silêncio e calma. Eu fico olhando a beira da estrada pela janela; Ela, o pessoal do ônibus. Eu repasso na mente tudo o que se passou naquela tarde, enquanto as árvores secas e contorcidas do verão sertanejo correm da minha vista apressadas. O céu em crepúsculo é bálsamo diário, uma receita tão excêntrica de púrpura, vermelho, laranja e azul que embebeda meus olhos até a overdose. Lê-se vício dos fortes.
    Em um ponto da estrada o ônibus passa por um campo aberto de terra batida e a paisagem atinge seu auge. Me vem logo na lembrança um desonesto par de olhos tortuosos e castanhos cujo tom combinaria tanto com a cor do céu naquele campo aberto que não seria surpresa se minhas pernas falhassem diante da cena. Me desloco do ônibus para o campo aberto e desloco também para lá o sujeito dos olhos desleais em meio segundo. 
    Vêm à cabeça as palavras de calma, os clichês de início de namoro, as comparações com Sol, com a Lua, as estrelas que foram dadas de presente de aniversário, as mãos que não se desgrudavam, os olhares de cúmplice, as cartas trocadas e a dedicatória dos livros. Uma saudade invade sem pedir licença e um lampejo rápido de lágrima surge impetuoso.
   As pernas falham.
  No meio segundo seguinte, abro os olhos. O crepúsculo ainda está lá, mas o campo aberto correra há alguns metros. Então, a paisagem volta às árvores retorcidas e secas na margem da estrada. Minha amiga dá risada de um garotinho no banco da frente tentando ganhar do colega no jo-ken-po; eu rio também e me esqueço dos olhos e do campo. 
   E as pernas voltam.
  

Não passarão!



Os de mãos perfeitas,
indiferentes às calejadas
Os de olhos sadios,
indiferentes à vista cansada
Os que o rio separa da lepra,
Não passarão.

Os de sentidos bons,
indiferentes aos torturados
Os de dentes bons,
indiferentes aos sorrisos vazados
Os que não choram com o corte,
Não passarão.

Os que bravejam pela repressão,
indiferentes à liberdade própria
Os que alimentam ódio,
indiferentes aos feridos pela História
Os que pedem por amar ou deixar,
Não passarão.

Não passaram de 81
Não passarão em 15
64 nunca mais!

Perderam-se as joaninhas amarelas.


       Hoje de manhã, andando pelo campinho de areia do meu colégio, encontrei uma criaturinha que há muito não me cruzava o caminho: uma joaninha amarela. Estendi a ponta do indicador para que ela subisse em minha mão e fiquei olhando o bichinho por uns tempos.
         Não coleciono muitos momentos de interação com insetos, mas por joaninhas amarelas nutro uma espécie de ternura. Explicação simples, sem lirismo: se não me falha a memória, encontrei joaninhas amarelas apenas duas vezes, sendo que cada uma delas traz consigo aquele quê de nostalgia. 
        Quando encontrei uma joaninha amarela pela primeira vez devia ter pouco mais de sete anos, estava em uma aula de balé, fazendo alguns daqueles exercícios com o apoio da barra. Ela caminhava simpática pela parede, só podendo ser observada de soslaio quando a coreografia permitia. No máximo de discrição pueril que ali me cabia, entortava o olho para o cantinho a fim de vê-la. Quando vi pelo canto do olho que minha pequena distração não estava mais na parede, acabei trocando um demi-plié por um outro passo qualquer de nome francês. 
       A segunda vez que vi uma joaninha amarela devia ter dez ou onze anos, estava no corredor da escola em que eu estudava na época. Estava na companhia de uns amigos de classe e de um namoradinho que andava sempre comigo. Fora ele que vira a joaninha amarela em uma plantinha no canteiro do corredor onde estávamos. Ele colocou-a em seu dedo e passou-a para minha mão, dizendo: "Olha que bonitinha!".
      Como poderia eu, hoje, à beira da minha velhice de quase dezesseis achar uma joaninha amarela e não tê-la com a ternura dos meus dias de balé e de namoradinhos? Hoje, que a dança é lembrança distante, que o amor é descabido e secreto, que não tenho mais barras de apoio para o tal plié, que o coração não sabe se bem me quer ou mal me quis. Hoje, que tão raramente encontro joaninhas amarelas. Ou se perderam em minha história, ou voaram para outro mundo. Não as culpo. Se tivesse asas, eu também o faria.